Policiais viajaram na manhã de terça-feira (20) para a aldeia de Boukham Savannakhet, Província do Laos para se reunirem com autoridades locais sobre a prisão na sexta-feira (16) de oito líderes cristãos que haviam reunido cerca de 200 membros da igreja para uma celebração de Natal , conforme informou a defesa dos líderes.

A Assistência dos Direitos Humanos para a Liberdade Religiosa do Laos (HRWLRF) informou que os líderes tinham a permissão para o evento de sexta-feira garantida pelo chefe da aldeia Boukham e convidou-o a participar. Ele ficou para a ceia de Natal, mas saiu antes do sermão começar. Depois do sermão, por volta de 9 horas, as forças de segurança da aldeia entrou no edifício, prendendo os oito líderes e conduzindo-os para a sede do governo Boukham, onde foram detidos sem acusação.

Quatro dos detidos foram algemados com os estoques de madeira (peça de madeira para prender as mãos), enquanto os outros quatro foram deixados sem restrições. Membros da família foram autorizados a levar cobertores e outras provisões para os detentos, mas não receberam explicação para as prisões, de acordo com a HRWLRF.

O policial Bouthong do sub-distrito chegou na manhã de sábado (17) para investigar o incidente e colher os nomes dos detidos. Naquela tarde, o vice-presidente do Savannakhet da Igreja Evangélica do Lao (LEC), o único grupo protestante reconhecido pelo governo, chegou a implorar para a liberação dos detentos, mas seus esforços foram infrutíferos.

No dia seguinte, representantes do LEC conseguiram negociar a libertação de um dos detidos que atende pelo nome único de Kingnamosorn, depois de pagar uma multa de 1 milhão de kip (123 dólares) para o chefe da aldeia. Em comparação, o salário médio mensal de um trabalhador não qualificado na província está perto de 40 dólares.

Estoques de madeira são comumente usados em prisões e centros de detenção no Laos e às vezes são combinados com a exposição do prisioneiro a formigas vermelhas como uma forma de tortura.

É costume dos cristãos de Laos manter as celebrações de Natal antes ou depois de 25 de dezembro, a fim de evitar chamar a atenção das autoridades.

No dia 18 de dezembro o chefe da aldeia disse aos presos que eles tinham violado o “HIIT”, o culto ao espírito tradicional da aldeia, através da celebração de um culto cristão. Ele então ordenou-lhes para não praticar o cristianismo em Boukham por medo de que os espíritos ficassem ofendidos.

O chefe da aldeia Boukham pediu aos detidos para admitirem sua culpa e concordarem em não adorar a Cristo na aldeia, mas todos os sete se recusaram, de acordo com a HRWLRF.

Os Líderes cristãos permanecem presos.