Pesquisas da FGV-SP apontam que uma das razões para que a Globo tenha fechado o ano com bom faturamento e ibope em queda é o fato de as redes de TV darem bônus para que as agências de publicidade direcionem anúncios para seus canais.

Publicitários ouvidos pela Folha dizem que a Globo mantém forte influência institucional sobre agências e anunciantes. E seguirá assim, por “cinco a dez anos”. A Globo fecha 2011 com a audiência em baixa e a receita em alta, mais uma vez.

Segundo a própria rede, seu faturamento deve saltar 9% no ano. A estimativa pode ser até acanhada. A receita líquida da Globo Comunicação e Participações, que inclui outras empresas, como a Globosat, crescia em setembro ao ritmo anual de 11%, segundo a agência de classificação Fitch Ratings.

A publicidade responde por cerca de 70% da receita. E tem mais, diz a Central Globo de Comunicação: “Estamos comemorando que a TV aberta terá a maior participação no bolo publicitário dos últimos anos, 63%”.

Ela credita os resultados ao “fato de que a TV aberta nunca esteve tão bem”, com o telespectador ampliando “sua permanência em frente à TV” e com aumento no “número de aparelhos por lar”. Daí por que “está cada vez mais forte na preferência dos brasileiros e também do mercado publicitário”.

Estaria “cada vez mais relevante para os anunciantes, pelos resultados efetivos que oferece de vendas e de imagem e prestígio”.

A Globo reconhece a perda de ibope, mas credita a “outros aparelhos” (videogame, DVD), não à concorrência de Record e SBT, que seguem nos “mesmos 13 pontos”.